segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Desestimentos

"Perde-se a vida quando a pretendemos resgatar à custa de demasiadas preocupações" Shakespeare

Caí. Tinha sido depois do Sol se pôr por detrás da encosta, que eu caí. Fiquei com medo, nunca tinha caído assim, sozinha, sempre foi com ajuda de alguém ou por uma acção mal realizada; e era assim que eu costumava cair: por momentos mal passados ou por desejos de pessoas arduamente atormentados. E desta vez não tinha sido assim, as minhas pernas tinham-se debruçado sobre si próprias, sentia-as dormentes, sem força, não consegui suportar...Senti um fardo enorme sobre mim, um daqueles pesados e insuportáveis, difíceis de separar. A minha alma estava rancorosa e os meus pensamentos dolorosos, como pontas de espada a tentarem-nos despedaçar. Eu caí... e sabia bem como:
Tinha sido depois do Sol se pôr por detrás da encosta , estavas comigo, e eu sentia-me bem. Cada minuto que passava, era mais um que te admirava; cada palavra dita era menos um espaço compreendido entre nós; cada olhar, cada movimento, era mais uma história para contar. E eu sentia-me bem, era tudo o que eu queria.
Estávamos sentados naquele banco de jardim, sabes? Aquele banco com mil e uma histórias para contar, cada uma com pormenores diferentes, únicos, que para sempre irei recordar. Estávamos a conversar e eu sentia-me bem ...
Ouvia-te com atenção, cada ruído que se opunha eu conseguia neutralizar, simplesmente para deixar entrar a tua voz nos meus ouvidos, que logo corria a encontrar o melhor refúgio, bem escondido no meu coração. Cada palavra que dizias era traduzida em melodias de canção. Por momentos cheguei a pensar que estava a sonhar, mas estavas mesmo ali, e eu sentia-me bem contigo.
Estávamos a conversar, simplesmente a conversar, no entanto, a força que se estabelecia entre nós era maior que todas as outras exercidas em qualquer lugar; e notava-se, estava a crescer...Tinha começado como uma criança, pequena e infantil, prematura, facilmente destrutível agora crescia e crescia, tornando-se forte e espessa, como correntes de ferro. Era uma força intensa e eu sentia-me bem com ela.
Tinha sido depois do Sol se pôr por detrás da encosta, que me perguntaste...
"Prometes?"
"O quê?"
"Que tomas conta de mim?"
Sentia-me bem, sentia-me tão bem , mas de repente vi tudo a fugir à minha frente, todos os momentos, todas as palavras, toda a força... senti perder tudo, fiquei frágil, parecia ter um fardo enorme sobre mim, uma responsabilidade maior que qualquer uma que já tive, e caí...
Tinha sido depois do Sol de pôr por detrás da encosta, que eu deixei escapar por entre mãos uma oportunidade que nunca mais tive, uma daquelas que só se tem uma vez na vida, e eu desperdicei-a.
Não deixes tu também desperdiçar a que te virá um dia, aproveita-a e faz com que alguém se sinta bem ao pé de ti. Não caias, persiste ; não fugas, pára e corre para o lado oposto e acredita: irás-te sentir tão bem.
Um dia também tu vais ter um momento depois do sol se pôr por detrás de uma encosta, faz com que ele dure e não o esqueças. Um dia também vais cair, mas promete-me que não seja aqui, promete-me que o fazes de consciência pura e voluntariamente, promete-me que te vais sentir bem a fazê-lo. Prometes?

3 comentários:

  1. adorei, os teus textos são realmente bons!

    parabéns!
    continua :P

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  2. Parabéns os teus textos são mesmo magnificos tens muito talento para escrever, continua.
    Venho cá algumas vezes e nestes ultimos dias não tens adicionado mais textos, tens de meter mais
    Continua :P

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