terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vidas

"Ó doçura da vida:
Agonizar a toda a hora sob a pena da morte 
Em vez de morrer de um só golpe" 
Shakespeare

Sonho... e procuro viver a vida. Sonho...tentando encontrar algo que me faça ficar aqui, presa e imunda aos teus poderes, que tão delicadamente usas. Sonho...para ultrapassar essas angústias porque me tanto fazes passar e esses medos que me tanto fazes recear. Sonho...simplesmente sonho, com a vida encantada e os mundos paralelos, a ti e a mim. Sonho...existe outra explicação? Não... Dás-me a energia e o poder para o fazer, dás-me o trono e a coroa para me valorizar, dás-me elogios de loucura para exaltares as minhas virtudes, dás-me a força do cavaleiro, dás-me tudo, sem explicação, com um sabor ardente, picante, fugaz...simplesmente dás-me mas a única coisa que prezo é o teu amor, esse dás?
No outro dia, vi um homem que me fez lembrar-te, estava sereno, cansado e com uma pitada de uma certa calmaria. Era um deles, um viajante, imune ao tempo e à dor, continuava aqui, neste mundo esperando que alguém o salvasse, tal como tu me fazes. Tinha aspecto requintado, como se viesse dos tempos antigos, quando Portugal era ainda um reino de glória, olhava todos, sobrevalorizando-se, tal como tu me fazes. Olhava em redor, talvez buscando pistas de uma ainda  terra perdida, desconhecida, à procura de salvação, talvez sem saber no que este novo mundo já vai, olhava..., para as pessoas, para o cais junto ao passeio do parque onde estava presente, para as mais mínimas coisas, simplesmente olhava, tal como tu me fazes. Era um homem de  classe média, era notória a forma como deslumbrava tudo, tentando decifrar cada retrato físico e psicológico de cada coisa até ao mais minúsculo pormenor, como se nunca tivesse assistido a nada daquilo.
Cheguei ao pé dele involuntariamente, como se os meus pés se arrastassem por si próprios. Quando dei por mim, já estava ao pé dele olhando-o de cima a baixo, tentando perceber quem era, e porque estava de tal maneira tão vistoso e demasiado charmoso que não conseguia desviar os olhos dele, como se estivesse encantada, por pura magia. Foi então que me perguntou a maior das perguntas, a maior de todas, sem demasiado exagero, tal como tu me fazes.
" Que vida é esta?"
Fiquei de repente exausta, como se tivesse acabado de puxar mil carroças com um único braço. Esta pergunta tinha-me desolado de tal maneira que sem querer, voltei a juntar-me mais perto do dito homem, querendo saber mais e tentando procurar resposta à pergunta. 
"Bem, nem eu sei."
Estava tão desnorteada que parecia ver foscos de tonturas bem ao longe, aquela pergunta tinha tocado profundamente no meu coração, de uma maneira ténue, simpática, tentando aconchegar-se no seu berço ,de uma forma alarmante, tal como tu me fazes. Realmente era uma pergunta alarmante, mas afinal "que vida é esta?". Vida despedaçosa sem raça e tronco genuíno, vida calma e serena sem preocupações sentimentais, vida ocupada e extenuante, racista e faminta de desejos, mas que vida é esta?
 Estava confusa, triste, queria desaparecer, tal como tu me fazes sentir.
"Folgo em saber que não sou o único"
Era verdade, eu não sabia. Estava ali a viver a vida, sem razão aparente senão rastos de um sonho perdido feitos por ti. Eu não sabia, e estava certa que por durante muito tempo não iria saber. Cada um de nós é como este viajante do tempo, desamparados, com sonhos por realizar, indecisos, vagabundos deste mundo, sem saber o que fazer, somos viajantes do tempo e um dia mais tarde seremos cavaleiros dos sonhos, falando ao mundo das verdades ditas e não ditas na nossa tenra idade de vida humana por qual todos passámos. Agora somos pessoas, aproveita, amanhã seremos viajantes do tempo, reage, e para a semana seremos cavaleiros brancos, luta e eu prometo que um dia farei tudo tal como tu me fazes

2 comentários:

  1. Tens uma grande vida pela frente, sejas tu quem fores, és uma grande pessoa. Ao ler os teus textos encaixei-me neles na prefeição... vejo que não sou ninguem ao pé de ti, os teus textos fazem nos olhar noutra dimensao, como se em vez de sermos nos a pssar pela vida fosse a vida a passar por nós.
    Desejo-te o melhor do Mundo, Parabéns

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  2. Muito obrigada. Escrevo por prazer e talvez seja essa a magia presente em cada um.

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