quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tejo

"Ah, memória, inimiga mortal do meu repouso!" Miguel Cervantes

Tu, que desaguas
Em tão belo oceano,
Que te descalças
Em tão linda cidade.
Tu, corajoso humano
Lapidado a água,
Representante da Humanidade!

Quantos dos teus ventos
Não são minhas memórias,
Meu espírito,
Minha salvação,
O teu orgulho feito vitórias!

Tu, que desaguas
Pelo meu rosto,
Que te descalças em meus humildes olhos.
Tu, corajoso rio,
Meu antepassado histórico,
Nossa virtude nacional,
Sabemos que és
O orgulho de Portugal!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Corda-bamba

"A vida é um campo de urtigas onde a única rosa é o amor." Victor Hugo


Pelos olhos corria a minha dor
e a minha face enxergava todo o ardor
que em tempos me provocaste.
O corte já sarado abriu novamente
e o sangue já derramado
voltou a regressar rapidamente.
Sem medo e tremuras,
sujou tudo o que podia,
mais uma vez…

Não tenho pressas nem receios,
não tenho medo nem princípios.
Tenho sim o meu tempo contado,
tudo aquilo que fiz de bom grado.

Não tenho feridas
e muito menos intrigas.
Não tenho a chama da vida
nem sei o que é a dor da ida.
Tenho sim cortes.
Pequenos, mas fortes,
trespassam-me com dor
e fogem com o tempo.

Não tenho nada que me faça viver
nem sequer um objecto que me faça morrer.
Tenho sim algo que me faz flutuar
nesta corda bamba
que alguém me pôs a desafiar.

É difícil viver assim,
sem ter onde me colocar.
Às vezes até espero que seja o fim
de tudo aquilo que tinha para dar.
Mas esta esperança rapidamente desvanece,
rapidamente se esconde.
Sabe que as minhas promessas
são como as de conde.

E agora?
Para onde vou?
Sei que o destino não tem razão
e que a mentira por vezes nem é em vão.
Mas isso não explica a situação
em que me coloco:
aquela que me faz prender,
e me obriga a viver na solidão.

Será hora de largar tudo o que tenho?
Voltar a correr e dançar,
voltar a fugir e acreditar?
Será que é agora que devia tudo de novo começar?
Não sei, e duvido que saiba,
mesmo daqui a alguns tempos
quando já tiver toda a minha vida desperdiçada.

E assim vagueio e espero que me salvem,
espero que me insultem e incriminem,
espero que me aleijem e me provoquem dor.
Pois nessa altura já terei razão
para deixar toda esta corda bamba
da vida, da morte, talvez do amor…