"A vida é um campo de urtigas onde a única rosa é o amor." Victor Hugo
Pelos olhos corria a minha dor
e a minha face enxergava todo o ardor
que em tempos me provocaste.
O corte já sarado abriu novamente
e o sangue já derramado
voltou a regressar rapidamente.
Sem medo e tremuras,
sujou tudo o que podia,
mais uma vez…
Não tenho pressas nem receios,
não tenho medo nem princípios.
Tenho sim o meu tempo contado,
tudo aquilo que fiz de bom grado.
Não tenho feridas
e muito menos intrigas.
Não tenho a chama da vida
nem sei o que é a dor da ida.
Tenho sim cortes.
Pequenos, mas fortes,
trespassam-me com dor
e fogem com o tempo.
Não tenho nada que me faça viver
nem sequer um objecto que me faça morrer.
Tenho sim algo que me faz flutuar
nesta corda bamba
que alguém me pôs a desafiar.
É difícil viver assim,
sem ter onde me colocar.
Às vezes até espero que seja o fim
de tudo aquilo que tinha para dar.
Mas esta esperança rapidamente desvanece,
rapidamente se esconde.
Sabe que as minhas promessas
são como as de conde.
E agora?
Para onde vou?
Sei que o destino não tem razão
e que a mentira por vezes nem é em vão.
Mas isso não explica a situação
em que me coloco:
aquela que me faz prender,
e me obriga a viver na solidão.
Será hora de largar tudo o que tenho?
Voltar a correr e dançar,
voltar a fugir e acreditar?
Será que é agora que devia tudo de novo começar?
Não sei, e duvido que saiba,
mesmo daqui a alguns tempos
quando já tiver toda a minha vida desperdiçada.
E assim vagueio e espero que me salvem,
espero que me insultem e incriminem,
espero que me aleijem e me provoquem dor.
Pois nessa altura já terei razão
para deixar toda esta corda bamba
da vida, da morte, talvez do amor…